terça-feira, 30 de agosto de 2011

Mãe e filha: um só guarda roupa



Quem disse que as mamães de hoje não podem ter o mesmo corpo e ainda dividir as mesmas roupas com as filhas está enganado


por Bianca Nascimento 


“Nossa, mas essa é sua filha ou sua irmã?”. Qual mamãe com um belo corpão e parecida com a filha nunca ouviu isso? É fato que hoje muitas mães estão dando o que falar. Isso porque a sociedade e os costumes vêm mudando muito há algumas décadas e os anos não separam mais a beleza de mães e filhas.


Neste panorama, estão incluídas algumas mamães do segundo milênio. Elas estão “com tudo em cima”, literalmente, e acompanham o mesmo ritmo de suas filhas.A empresária Débora Weirich é um exemplo. Já ouviu frases clichês como ser confundida com a filha ou até mesmo questionada em ser irmã dela.                                                                                                                                                                              


Também, não é para menos: a empresária, de 42 anos, é mãe da advogada Camila Weirich e, mesmo com a diferença de dezoito anos, ainda carrega a jovialidade da filha tanto no rosto como nas suas vestimentas. Desde pequena, Camila já era incentivada por sua mãe a se arrumar bem e sempre comprava os vestidos que queria. Camila cresceu e junto seu gosto por se vestir sempre bem. Além de advogada, ela também tem um blog onde dá dicas de moda.


Atualmente, por terem as mesmas medidas e até mesmo gostos parecidos, as duas dividem seus guarda roupas uma com a outra.Mas isso nunca foi motivo para desentendimentos. Pelo contrário: é essa troca que reforça a amizade entre as duas. Os empréstimos de roupas sempre contribuíram para aumentar a união de ambas, principalmente para fazer compras, passearem juntas ou até mesmo irem a um evento de moda.

Camila conta que elas chegam a usar a mesma blusa, mas de maneiras diferentes. “Apesar de usarmos as mesmas roupas, temos personalidades diferentes e isso é refletido na maneira como usamos estas vestimentas”, conta. “Um vestidinho preto básico, por exemplo, por mim, seria usado no estilo mais roqueiro e, por ela, no estilo clássico”, explica.

E sem clima de competitividade, Camila revela que a mamãe já foi muito paquerada pelos meninos mais novos. “Ela sempre tinha que dar uma pinta de mãe para mostrar que eu que era a filha”, diz aos risos. Ela lembra ainda de uma situação na época em que ambas faziam exercícios com um personal trainer e Camila fez questão de que ele passasse um treinamento diferente para a sua mãe. Mas, Débora, a mãe dela,  surpreendeu a todos. “Em nossas caminhadas e corridas, minha mãe sempre passava na minha frente”, diz Camila.

Apesar de as duas ainda revistarem a mala uma da outra quando viajam para evitar de levar algo da outra, de comprarem uma sandália que ambas gostaram com a condição de usarem juntas, e mesmo usando as mesmas roupas, frequentando os mesmos eventos, shopping e lojas, elas garantem que o importante é a roupa interior. “Você pode colocar a roupa mais bela, mas, se não estiver bem, nada ficará bonito”, diz  Débora. “O interior reflete no exterior quando você está bem ou não. E eu sempre ensinei as minhas filhas que o mais importante é estar bem consigo mesma”, finaliza.


Curitiba já tem uma loja que oferece roupas combinadas tanto para as mães como para as filhas ainda pequenas. Algumas peças são feitas com modelos e estampas iguais. A loja, Boreal Moda, começou com a linha principal para mulheres adultas e depois lançou a linha Mãe e Filha, que atende meninas de dois a seis anos.



 Foto:Andre Wormsbecker 

A empresária e dona da Boreal Moda, Daniela Ogliari Linhares, conta que há um público de mães que buscam esse tipo de roupa   para determinadas ocasiões. “A maioria usa em aniversários, eventos familiares ou simplesmente curtem esse look combinado, afinal, a filha sempre tende a ter como modelo sua mãe”, explica.


Mudanças na história


Esse comportamento entre mães e filhas da atualidade está sendo resultado de diversas e inúmeras mudanças históricas, comportamentais e sociais que enfrentamos, principalmente a partir dos anos 60. Em 1968, por exemplo, foi o ano do movimento que rompiam os padrões estabelecidos pela contracultura impostos pelos sistemas familiares e educacionais governamentais. Estas mudanças foram refletidas com a inserção da mulher no mercado de trabalho, a revolução sexual com a pílula anticoncepcional e também críticas e mudanças na estrutura familiar.


Cauê Krüger, sociólogo e mestre em antropologia cultural, explica que tanto mães como integrantes da sociedade antes da década de 60 viam como adequados comportamentos femininos recatados e austeros.“O que hoje se valoriza como personalidade, estilo, charme e beleza não correspondia aos padrões buscados e consentidos às mulheres daquele período, pois os critérios de valorização eram outros”, explica. “O próprio conceito de “ser mulher” foi totalmente reconfigurado de forma que qualidades antes consideradas imprescindíveis para mães e esposas agora tendem a não ter mais tanto valor”.


Um dos motivos desta mudança comportamental e de padrões que a sociedade – e dentro dela as mães – enfrenta hoje é devido ao acesso que  as pessoas, no geral, possuem à informação e a tratamentos diferenciados, buscando sempre se adequar aos padrões estéticos da atualidade. 


O psicólogo Paulo Roberto Abreu, que trabalha com análise de comportamento, afirma que a nova geração  tem o que a antiga não tinha, e isso reflete até no modo de viver de algumas mães, que buscam estar mais atualizadas e no ritmo de suas filhas. “Muitas literalmente correm atrás do tempo, que julgam estar perdido”, explica. “Quando a sociedade confunde a mãe com a filha, por exemplo, essa mãe se sentirá aceita e isso não tem nada de ruim. Somente terá se essa mãe passar dos limites tanto no relacionamento de ambas como com sua própria saúde e busca incansável pela beleza”, completa.




Acesse a matéria pelo link: http://blooming.plex.com.br/2011/04/05/mae-e-filha-um-so-guarda-roupa/ ou http://blooming.plex.com.br/folheie-a-revista/edicao-8/


Experiência profissional na Revista Blooming. (Curitiba-PR) (Janeiro/2011 a Abril/2011)

Repórter. Responsável por escrever matérias sobre saúde, bem-estar, comportamento, moda, fitness, entre outras. Entrevista exclusiva em Curitiba com o Dr. Richard Firshein, um dos mais renomados médicos em saúde preventiva em Nova Yorque e médico da turnê do U2 no Brasil.

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