Em meio a uma sociedade comunista, Cuba abre um sorriso para as relações comerciais com outros países
Cuba, um País que em meio a uma política comunista, tentou sobreviver e a resistir ao capitalismo do mundo moderno. Mas nos tempos atuais, se vê em um momento histórico, onde abre um sorriso para as relações comerciais com outros países. Não tem como evitar ou escapar: Cuba está abrindo suas portas, oferecendo o que há de melhor e para novos investimentos entrarem.
O Brasil é um dos países simpáticos a Cuba. Ambos mantêm atualmente um comércio bilaterial importante para suas economias. É fato que na época da ditadura brasileira, Cuba e Brasil ficaram por quase vinte anos sem nenhum tipo de relação, que só voltou a ser reatada nos anos 80, com o governo José Sarney, em um lento processo de reaproximação.
Com os últimos presidentes, principalmente Luíz Inácio Lula, as relações com Cuba começaram a se intensificar. Só ano passado, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores, o comércio bilateral entre Brasil e Cuba registrou valor recorde em 2011, totalizando US$ 642 milhões (31% a mais que 2010).
Dilma Rousseff vai à Cuba
Em janeiro deste ano, a presidente Dilma Rousseff fez uma visita até a ilha de Cuba. A reunião foi pautada em uma agenda econômica na intenção de estreitar ainda mais as relações entre o território brasileiro e cubano.
Este é um momento em que o governo petista, que prioriza uma política de alargamento entre as relações econômicas externas, encontra para unir–se com Cuba como explica o coordenador do Conselho de Comércio Exterior e Relações Internacionais, da Associação Comercial do Paraná (ACP), Atoninho Caron. “Cuba precisa de investimentos, de alternativas energéticas e de alimentação. O Brasil poderia abastecer Cuba”, explica Antoninho que ressalta ainda que a Dilma está abrindo possibilidades entre as duas uniões. “Dilma procura oportunidades comerciais, abrir canais para investimentos e abastecimentos de diferentes alternativas”.
Os dois países querem aprofundar a cooperação bilateral principalmente nas áreas técnica, científica e tecnológica como também agricultura, segurança alimentar, saúde e produção de medicamentos. Para o geopolítico Adalberto Scortegagna, os presidentes são grandes represenantes comerciais para nosso País. “Eu enxergo eles como representantes das indústrias de seus territórios. A Dilma representa as empresas brasileiras e conversando com o presidente Raul Castro, ela abre portas às nossas companhias”, afirma.
Ambos os países têm muito a oferecer: o Brasil, por exemplo, possui modelos e programas para o tratamento de áreas agrícolas em territórios tropicais, como é o caso da ilha de Cuba. Já Cuba possui forte conhecimento na área de medicina com setores de ponta e também na educação. O governo brasileiro também poderá negociar a ampliação do envio de médicos cubanos ao Brasil para apoiar o atendimento no Serviço Único de Saúde (SUS). “O Brasil não vai usufruir do plano econômico, mas também para o desenvolvimento social. Cuba também vai se privilegiar com as experiências brasileiras principalmente no campo tecnológico” ressalta o mestre em economia, Carlos Magno.
Oportunidades econômicas
Esta abertura comercial entre os países terá uma grande movimentação positiva na nossa economia e, consequentemente, das empresas brasileiras. Atualmente, o Brasil investe em Cuba, através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na ampliação do porto de Mariel, executada pela empresa brasileira Odebrecht.
Diversas oportunidades de negócios se abrirão para companhias brasileiras interessadas em se instalar ou expandir na América Central. “Cuba entra dentro deste contexto como mais um parceiro externo do Brasil com o qual terá suas relações comerciais e de investimento, cooperação tecnológica e abrindo campo para participações de empresas privadas e públicas”, afirma Magno.
Raul e Fidel Castro
Após Raúl Castro assumir o governo de Cuba em 2008, mudanças de abertura econômicas foram acontecendo. Mas as condições não ocorrem apenas por características diferentes de um governo para o outro e sim por circunstâncias que vêm de décadas atrás.
Nos anos 60, os Estados Unidos decidiu enfrentar o governo socialista e Fidel e cortou relações econômicas e diplomatas com Cuba. Assim, para que o território cubano pudesse sobreviver, estreitou sua relação econômica com a antiga União Soviética dependendo de ajuda financeira, militar e técnica. Mas o fim da URSS (1991) provocou uma crise econômica em Cuba, pois o bloqueio dos Estados Unidos dura até hoje.
Assim, o país se viu obrigado a estreitar suas relações com países da América Latina, como acontece agora com o Brasil que investe milhões na ilha. “A impressão é que a mudança ocorreu quando o Raul assumiu o governo, mas o que mudou foi no contexto internacional, pois Cuba está passando por uma urgência econômica”, explica o historiador Daniel Hortêncio de Medeiros. “Fidel faria o mesmo se não tivesse outras alternativas”.
Principais mudanças no governo Raúl Castro
>No aspecto político, Raúl Castro fez diversas mudanças de ministros, mudou o presidente do banco central e tempo de mandato máximo de dez anos para cargos políticos e estatais fundamentais, incluindo o presidente.
> Na economia, o novo governo permite compra e venda de imóveis e a comercialização de aparelhos eletrônicos com DVD e celulares
> Em suas relações internacionais, Cuba pretende intensificar as negociações com países da América latina como o Brasil, que já investe milhões na ampliação do porto de Mariel
Acesse a matéria no link da revista Mês: www.revistames.com.br / Edição 14
Experiência profissional na Revista Mês
Repórter de diversas editorias como gastronomia, cultura e lazer, meio ambiente, entre outras
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